Resumo
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Diante do atual processo de globalização, a competitividade de cada nação aparece, cada vez mais, vinculada à criação de um sistema nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (C,T&I) forte e coeso, que permita ações cooperativas e estimule a transferência tecnológica.
No contexto brasileiro, a base governamental vem realizando esforços para o fortalecimento das atividades inovativas no país, incentivando, entre outras coisas, o financiamento de projetos que visam alavancar a interação entre setor público e privado, assim como, o desenvolvimento de mecanismos legais para impulsionar a transferência de tecnologia. Nesse processo, a aprovação da Lei de Inovação em dezembro de 2004 pede que as instituições de ciência e tecnologia (ICT) nacionais – universidades ou institutos de pesquisa – disponham de núcleos de inovação tecnológica (NIT) para gerir suas respectivas políticas de inovação. No entanto, a ausência destas políticas nas ICT se configura no primeiro gargalo que os NIT terão que transpor para cumprir com seus objetivos de maneira adequada – dentre eles, “zelar pela manutenção da política institucional de estímulo à proteção das criações, licenciamento, inovação e outras formas de transferência de tecnologia”. Nesse sentido, se subentende da Lei de Inovação que a ICT deve possuir uma Política de Inovação e uma Política de Propriedade Intelectual.
Contudo, ciente de que o Brasil ainda não possui uma “cultura” de transferência de tecnologia e que as ICT estão lidando com dificuldades diversas para a estruturação de seus núcleos de inovação, seja por falta de uma política mais contundente destinada à sensibilização das instituições quanto ao caráter crucial da atividade inovativa ou por falta de pessoal com conhecimento específico para assumir ao menos suas funções básicas, a auto-avaliação organizacional e a criação de um planejamento estratégico voltado para atingir a excelência nas diferentes dimensões da missão da ICT despontam como um importante ponto de partida para a elaboração de uma política institucionalde inovação, gestão de propriedade intelectual e, conseqüentemente, implementação do NIT.
É neste particular que este livro traz uma contribuição original, apresentando ao leitor um conjunto de artigos que trabalham questões de grande relevância para a estruturação de núcleos de inovação tecnológica no âmbito das ICT, exatamente em um momento de fortes mudanças institucionais, em que a iniciativa privada continua sendo fortemente chamada a incorporar seus investimentos à ciência e tecnologia, tornando ainda mais fundamental uma adequada estruturação dos NIT, para que efetivamente se consolide um ambiente voltado para inovação no país. Os diferentes temas abordados na obra – “Panorama dos NIT no Brasil”, “Institucionalização dos Núcleos de Inovação Tecnológica”, “Gestão da Propriedade Intelectual”, “Transferência e Comercialização de Tecnologia” e “Empreendedorismo e Pré-Incubação” – possibilitam a reflexão sobre os métodos e instrumentos existentes para a gestão institucional da atividade inovativa e para a estruturação dos núcleos de inovação.
Os resultados alcançados neste livro – tanto no que respeita ao relato das boas práticas de gestão tecnológica, quanto no que trata da articulação de assuntos distintos na teoria, mas interdependentes no cotidiano do NIT – colocam para os formadores das políticas de inovação nas ICT e para todos aqueles envolvidos com as temáticas da propriedade intelectual e desenvolvimento de inovações, uma oportunidade para ampliar a percepção sobre o contexto que circunda a implementação de NIT no Brasil, assim como, para desmistificar alguns dos entraves envolvidos nos processos de transferência de tecnologia entre setor público e privado.
Boa leitura!
Publicado com a permissão da INOVA
INOVA – Agência de Inovação da Unicamp